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Portugal Tem a Maior Taxa de Perturbação de Voos na Europa — Os Dados de 2024

Lisboa é o pior aeroporto da Europa em atrasos ATFM. 36% dos passageiros portugueses foram afetados por perturbações de voo. Conheça os dados de 2024 e os seus direitos.

Equipa Editorial FlightOwedLegally reviewed

Portugal Tem a Maior Taxa de Perturbação de Voos na Europa — Os Dados de 2024

Se sente que os seus voos atrasam com uma frequência desconcertante, a sua perceção é corroborada pelos dados. Portugal — e em particular o aeroporto de Lisboa — registou em 2024 os piores índices de perturbação de voos da Europa. Não é azar. É um padrão estrutural com causas identificadas e consequências financeiras enormes para os passageiros.

E a boa notícia: se é um passageiro disproportionadamente afetado por atrasos, também está num país com um dos regimes legais mais favoráveis para reclamar compensação.


Lisboa: o aeroporto mais perturbado da Europa

Segundo os dados publicados pela EUROCONTROL (a agência europeia de gestão do tráfego aéreo) relativos a 2024, o Aeroporto Humberto Delgado de Lisboa (LIS) foi o aeroporto europeu com a maior taxa de atrasos ATFM (Air Traffic Flow Management) por voo.

Os atrasos ATFM são atrasos causados por restrições na capacidade do controlo do tráfego aéreo — limitações nas pistas, no espaço aéreo envolvente, ou na capacidade de gestão de voos pela NAV Portugal (a empresa pública responsável pela navegação aérea em Portugal).

Os dados de 2024:

  • Lisboa registou uma média de atraso ATFM superior a 5 minutos por voo — o valor mais elevado de qualquer aeroporto hub europeu
  • Em dias de pico (verão e épocas festivas), os atrasos ATFM em Lisboa superaram os 30 a 45 minutos por operação
  • O aeroporto de Lisboa opera consistentemente acima da sua capacidade declarada, em especial durante os meses de junho a setembro

Para contextualizar: a média europeia de atraso ATFM por voo em 2024 foi inferior a 2 minutos. Lisboa está mais do dobro acima dessa média.


36% dos passageiros portugueses foram afetados por perturbações

De acordo com os dados compilados pela EUROCONTROL e pelo ACI Europe (Airports Council International), aproximadamente 36% dos passageiros que viajaram por aeroportos portugueses em 2024 sofreram alguma forma de perturbação — atraso superior a 15 minutos, cancelamento ou reencaminhamento.

Este valor é significativamente superior à média europeia de cerca de 26%.

O que significa na prática: se viajou através de Lisboa ou Porto em 2024, a probabilidade estatística de ter sofrido uma perturbação relevante era superior a 1 em 3. E o passageiro médio que viaja por lazer ou trabalho faz múltiplas viagens por ano — a probabilidade cumulativa de ser afetado numa viagem por ano é muito alta.


Porto: os atrasos triplicaram

Enquanto Lisboa domina as estatísticas de atrasos ATFM, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto (OPO) registou em 2024 um crescimento alarmante nos atrasos totais.

Os dados mostram que os atrasos no Porto triplicaram comparativamente a 2021, acompanhando o crescimento exponencial do tráfego aéreo na cidade. Porto registou em 2024 um volume de passageiros 40% superior a 2019 (pré-pandemia), sem um crescimento proporcional da infraestrutura de suporte.

O aeroporto de Faro, fortemente dependente do tráfego turístico de verão, registou igualmente perturbações significativas nos períodos de maior procura, com atrasos prolongados em julho e agosto.


A TAP deve €52 milhões em compensações não pagas

Um dos dados mais impactantes do panorama português em 2024 diz respeito à TAP Air Portugal. De acordo com estimativas baseadas nos dados de perturbação e nas taxas de reclamação efetivas, a TAP tem pendentes ou não pagos compensações estimadas em €52 milhões ao abrigo do Regulamento EC 261.

Este valor resulta de:

  1. Volume de perturbações: a TAP é a maior operadora nos aeroportos portugueses, concentrando uma parte desproporcionada das perturbações
  2. Taxa de reclamação baixa: estudos europeus indicam que apenas 2% a 10% dos passageiros elegíveis chegam efetivamente a reclamar compensação — o que significa que a grande maioria do que é devido nunca é solicitada
  3. Estratégia de rejeição: a TAP tem uma taxa de rejeição de primeiras reclamações significativamente acima da média europeia, o que desincentiva a persistência

Para a TAP, que atravessou um processo de reestruturação e foi parcialmente reprivatizada em 2024, o volume de responsabilidades EC 261 representa um passivo substancial que a empresa tem interesse em minimizar — daí as táticas de procrastinação e as ofertas de vouchers em vez de dinheiro.


Por que é que Lisboa tem tantos atrasos?

As causas estruturais dos atrasos em Lisboa são conhecidas e documentadas:

Capacidade insuficiente da infraestrutura

O Aeroporto Humberto Delgado tem uma única pista operacional na maior parte do tempo (tem duas pistas, mas a capacidade simultânea é limitada pela configuração e pelas restrições de ruído urbano). Com o crescimento do tráfego, a taxa de utilização aproxima-se do limite técnico.

Restrições da NAV Portugal

A navegação aérea portuguesa opera sob pressão crescente. A estrutura do espaço aéreo português — com Lisboa a servir como ponto de entrada/saída de rotas transatlânticas, africanas e europeias — cria congestionamentos complexos.

Impacto sistémico do hub TAP

A TAP usa Lisboa como hub para voos de ligação entre a Europa, o Brasil e África. Quando há perturbações nas chegadas dos voos de longo curso (atrasos nos voos do Brasil, por exemplo), todo o sistema de ligações europeias é afetado em cascata.

Impacto do crescimento turístico

Portugal tornou-se um destino turístico de enorme popularidade, especialmente com o mercado britânico, americano e escandinavo. O crescimento do turismo superou a capacidade aeroportuária, criando sobrecargas estruturais.


Portugal tem uma das legislações mais favoráveis para passageiros

Há um paradoxo nesta situação: o país com a maior taxa de perturbação aeroportuária da Europa tem também um dos regimes jurídicos mais favoráveis para os passageiros exigirem compensação.

Prazo de prescrição: 3 anos (vs. 2 anos em Itália, 2 anos nos Países Baixos)
Tribunal de pequena instância: acessível sem advogado obrigatório para casos até €5.000
ANAC ativa: a entidade reguladora tem sido progressivamente mais interveniente
Arbitragem de consumo: centros acreditados com custos baixos para o consumidor

Isto significa que um passageiro português afetado por um atraso em 2022, 2023 ou 2024 ainda pode estar dentro do prazo legal para reclamar — e tem os meios institucionais para o fazer.


O que pode fazer agora

Se viajou recentemente e o seu voo atrasou

Verifique se o atraso foi de 3 ou mais horas na chegada. Se sim, tem direito a compensação entre €250 e €600. Verifique o seu voo gratuitamente.

Se viajou nos últimos 3 anos e nunca reclamou

Muitas pessoas descobrem anos depois que tinham direito a compensação. Com o prazo de 3 anos em Portugal, voos de 2022 ainda podem ser elegíveis.

Se recebeu uma recusa injustificada

Não desista. As companhias aéreas recusam na primeira resposta com uma frequência muito elevada, esperando que os passageiros desistam. Com apoio especializado, as taxas de sucesso são significativamente mais altas.


Conclusão: está a ser disproportionalmente prejudicado — mas tem o direito de agir

Os dados de 2024 são inequívocos: os passageiros portugueses sofrem perturbações de voo com uma frequência superior à média europeia. Ao mesmo tempo, a maioria não reclama aquilo a que tem direito — em parte por desconhecimento, em parte pelo desgaste do processo.

A FlightOwed foi criada precisamente para eliminar esse desgaste. Tratamos de toda a burocracia, sem custos adiantados.

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